Contabilidade em Foco

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Falência múltipla do Estado

Por: Marcelo Viaro Berloffa, Mestre em Contabilidade pela PUC-SP, professor da PUC
Campinas, diretor do Sescon Campinas e empresário da área Contábil.

O corpo ainda pulsa, em um cenário dramático em que o Estado se quer consegue protagonizar os acontecimentos, passando a ser um mero coadjuvante frente à guerra midiática para propagar os múltiplos saques sobre os cofres públicos. A necessidade latente de reformas não saem do papel. A previdência, segundo alguns especialistas, caminha para um abismo sem fim. As empresas estão sem folego para retomar os investimentos e tentar fugir da crise que assola milhões de trabalhadores desempregados. O governo busca espaço com anúncios de simplificação tributária às empresas, prometido para o final de março, mas o que realmente todos nós precisamos é diminuir o fardo tributário que carregamos e extirpar a insegurança jurídica que cerca as transações que realizamos diariamente.

Parece que estamos vivendo dentro de um tornado sem fim. Não há qualquer sinal de melhora e isso desmotiva ainda mais. A falta de expectativa mata todas as ideias antes mesmo de se concretizarem. E como pano de fundo para toda essa falência múltipla do Estado, recebemos a notícia, que circulou em alguns sites, sobre a intenção da Fnac em encerrar suas operações no Brasil, onde está desde 1999. O Grupo francês planeja sair do Brasil e essa notícia ganhou as mídias por vários dias, ajudando a deteriorar um pouco mais a imagem daquele Brasil de outrora, pujante e radiante. A decisão da Fnac é igual a de tantas outras, que por não terem porte tão relevante, já desembarcaram do nosso país sem muito holofote.

O mundo passa por um momento bastante crítico de “xeque mate”, principalmente nas questões éticas. Isso, também já chegou por aqui, enfrentamos uma crise econômica das mais graves da nossa história, justamente no momento em que nos vemos tentando passar a pratos limpos toda a nossa história política que vem se revelando em um ambiente ainda mais promiscuo do que aquele que imaginávamos ser. A imagem do Brasil no exterior não é nada boa, o conluio e as confabulações parlamentares, construindo uma associação para explorar uma alta rede de crime organizado para roubar todo um país, impede a busca por novos recursos e investidores dispostos em atracar o seu ânimo por aqui.

Não há fórmulas prontas capazes de nos tirar dessa situação. Também não podemos esperar até surgir um “salvador da pátria”, mesmo porque como surgirá alguém “limpo” convivendo em um ambiente tão imundo? O povo brasileiro vive de esperança, mas essa por si só não será capaz de mudar esse cenário perverso. Soma-se a eles, as empresas de contabilidade que sofrem com toda essa desorganização do Estado e se veem sitiadas por um emaranhado tributário e jurídico, em que as leis são promulgadas para dar ênfase à complexidade do processo e nunca para reduzir o chamado “Custo Brasil”.

Toda uma classe profissional, que existe para servir o Estado e o Contribuinte, de mãos atadas contra o maior predador do progresso nacional, o próprio Estado. Precisamos retomar a condição de consumo interno para que a produção volte a crescer. Então, não adianta esperar que alguém resolva tudo por você. Será preciso muito mais do que isso, somente a união em torno da coletividade, sem vaidade, sem interesse individual, é que irá
“curar” esse Brasil, afinal, o Povo é Soberano!

Imagem: Pixabay.com