Contabilidade em foco – A informatização e o excesso de obrigações na Contabilidade

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Nos dias de hoje vivemos uma verdadeira avalanche de obrigações, diretamente atribuídas e impostas ao profissional da Contabilidade, seja por órgãos federais, estaduais ou municipais.

A chegada do computador revolucionou nosso trabalho, não resta dúvida de que foi uma inovação, saímos da caneta tinteiro e máquina de escrever para processos mais rápidos e com resultados mais eficientes. Mas tudo tem seu preço, a informatização total aguçou a fome arrecadatória desses órgãos de tal maneira que começaram a amarrar uma informação noutra e foram fazendo uma “colcha de retalhos”. Hoje temos muitas obrigações que até se sobrepõem. Não está na hora de uma simplificação?

Nosso trabalho a cada dia que passa está comprometido. Estamos trabalhando no limite, imersos em tantas obrigações. O ambiente tributário então,
está repleto de obstáculos e excessiva carga de obrigações acessórias. Hoje gastamos muito mais tempo atendendo às obrigações de uma empresa, do que na verdade trabalhando para ela na elaboração e apresentação de demonstrativos mensais para a tomada de decisão! Ou seja, cumprir nosso verdadeiro papel.

Exemplo claro disso, tivemos recentemente a experiência com a ECF, que substituiu a DIPJ, veja quanta mudança! Para a elaboração da DIPJ tínhamos uma carga horária despendida de pelo menos um dia, quando se tratava de uma empresa média com faturamento de 100 a 500 mil/mês; já com a ECF, essa carga horária subiu para cinco dias. Além do mais, de 14 a 40 páginas geradas pela DIPJ, a ECF chega até mais de 10 mil páginas, dependendo do tipo da empresa.

O que dizer então, do valor exorbitante das multas atreladas às exigências fiscais, chegando até inviabilizar a continuidade do negócio em alguns casos?

A eliminação de algumas dessas obrigações e a racionalização dos sistemas são demandas urgentes, evitando-se assim o fechamento dos parques
industriais e evasão dessas empresas para outros países mais atrativos.

A revisão da agenda tributária é urgente, bem como a redução das multas aplicadas, melhor equalização dos prazos e o fim de algumas obrigações
acessórias redundantes. Todos os dias nos deparamos com decretos, portarias, instruções normativas e atos nos diários oficiais da União, dos estados e municípios, que modificam as áreas Tributária e Fiscal, sendo praticamente impossível ao contribuinte colocar em prática todas essas mudanças.

Ao mesmo tempo que a informatização é benéfica, acaba engessando todo e qualquer processo; temos como exemplo, os agendamentos para atendimento na Receita Federal, quando há vagas disponíveis, o contribuinte vai em dia e horário marcados, mas se faltar um documento, não pode retornar no mesmo dia para complementar, ou seja, nem consegue sequer dar entrada no processo, tem que agendar uma nova data.

Poderíamos citar aqui vários exemplos que dificultam nosso trabalho, ou que engessam processos e não dão fluidez natural ao fluxo burocrático, mas o mais importante seria que eles (União, Estados, Municípios e legisladores) entendessem que, o profissional da contabilidade é seu principal aliado e instrumento de arrecadação, e de forma gratuita, portanto, deveriam dispensar um olhar diferenciado à nossa classe!

Breno Pacheco Corrêa
Contador, perito judicial e diretor administrativo do Sescon Campinas